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Operação feita em museu será transmitida pela televisão
e terá acompanhamento médico
Artista implanta hoje chip no corpo
MARIO CESAR CARVALHO
da Reportagem Local
O artista multimídia Eduardo Kac senta-se hoje, a partir
das 21h30, numa maca na Casa das Rosas, na avenida Paulista, toma uma anestesia
local, faz uma incisão com bisturi no tornozelo esquerdo e implanta
ali um chip.
O chip tem o tamanho da ponta de um lápis (15 mm x 2 mm) e traz
um número aleatório que poderá ser decodificado: 026109532.
Ficará no corpo do artista pelo resto da vida.
O médico Paulo Flávio Gouveia e uma ambulância acompanham
a operação, transmitida ao vivo pela TV Cultura e Internet
(www.dialdata.com.br/casadasrosas/net-art/kac).
Não se trata de um procedimento cirúrgico, segundo Kac. "O
implante é parte de um trabalho de arte", diz.
O próprio Kac considera a operação "uma loucura".
Tanto que demorou quatro anos para executá-la, não por problemas
técnicos, mas por "um processo pessoal". No mês
passado, ele tentou fazer a operação no Instituto Cultural
Itaú, mas a entidade vetou o trabalho.
A operação é uma loucura, mas o trabalho não,
diz Kac. Na parede da galeria, ele exibe fotos que sua avó materna
trouxe da Polônia ao fugir dos nazistas em 1939.
Foi um dos poucos bens que ela carregou, junto com um travesseiro. A avó
de Kac sobreviveu, mas os outros personagens das fotos morreram em campos
de concentração, provavelmente.
"Eu não vivi essas experiências, mas elas fazem parte
da fibra do meu corpo. Estou fazendo esse implante para atender emoções
que me acompanham desde criança", afirma.
A idéia de Kac é confrontar dois tipos de memória:
a que decorre da experiência pessoal e a que é externa, que
surge ao se ver uma foto, por exemplo.
Daí, o fato de ter escolhido uma memória de computador para
implantar no corpo.
Ele diz estar interessado em investigar o que ocorre com a inflação
de imagens que empesteia o mundo, quando uma foto não é sinônimo
de verdade porque pode ser manipulada ao infinito.
Fenômeno similar está ocorrendo com o corpo, segundo o artista,
com a disseminação das cirurgia plástica.
"O corpo hoje pode ser construído, apagado, restaurado. Já
não há mais verdade no corpo. É isso que me interessa",
afirma.
A operação abre a exposição "Arte Suporte
Computador".
Exposição: Arte Suporte Computador
Quando: hoje, a partir das 20h30
Onde: Casa das Rosas (av. Paulista, 37)
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